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sábado, 29 de novembro de 2014

Parece que foi ontem...

...que decidi, estimulada por amigos de longa data e familiares, a me inscrever no curso de gastronomia. Na época, hesitei por um breve segundo. 
Era mais um desafio, mais um curso superior, mais um compromisso diário. Sendo profunda conhecedora de meus princípios, sabia que, ao ingressar, não teria como voltar no tempo. Aliás, que tempo?! Durante estes breves longos dois anos, este tempo tornou-se escasso. Uma jóia rara. 
Deixei de lado algumas relações, estive presente só de corpo em alguns momentos, mas valeu. Valeu o aprendizado e o conhecimento adquiridos. Novas pessoas passaram a fazer parte de mim. Algumas, com certeza vieram para ficar. Outras tantas, apenas transitaram e esvaecerão com brevidade. Parece incrível, mas de algumas, não sei sequer o nome. 
Hoje, finda a jornada, emerge a reflexão. Uma reflexão envolta em saudosismo e carregada de saudade. Um momento repleto de serás... Será que??? Mas como o tempo é implacável e não volta mais, este será terá que ser deixado de lado, pois já foi. Agora é seguir adiante e se permitir... Experimentar, testar, errar, refazer, viver e, acima de tudo, sorrir. Em poucos instantes me desarmei, me aquietei e observei o habitat de uma cozinha com todos os seus sons, aromas, cores e sabores... Com toda aquela gente. Uma humanidade reunida por razões distintas. Alguns, em busca de um sonho. Outros, almejando um ganha pão. Outros tantos, só por diversão. Mas haviam também ali ingredientes que buscavam a cura. A cura para os males do corpo e da alma. 
Deixo aqui enunciado meu carinho especial por algumas destas pessoas: Deise Brugioni, Fernanda Cosentino, Isabel Lelis e Renata Jardim - que por razões distintas, não completaram a jornada. Stella Lago que ainda tem um longo caminho pela frente. 
Maíra Gerótica Rangel, uma menina com problemas de gente grande... Confesso que, de cara, a quis como amiga mas tinha a incerteza do tempo que jogava contra. E jogava bem sujo. Mas como tudo na vida passa, passou e vc ficou. E floresceu novamente. 
Adriana Franco ... francamente! Uma figura em forma de gente, uma mãe maravilhosa, uma MULHER... Vc me ensinou a auto permissão. Então, PERMITA-SE! 
Juntas, atravessamos momentos turbulentos, enfrentamos nossos medos e receios e crescemos. Colocamos a mão na massa e fizemos a nossa história. 


Agora, desarmadas, temos a opção de permanecer como meras espectadoras da vida que segue. Ou podemos fazer acontecer...
Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.








sábado, 7 de junho de 2014

"Releituras"


Quem nunca viveu um grande amor? 
Quem nunca sofreu por amor? 
Quem nunca amou?

O dueto Romeu e Julieta tornou-se famoso pelas palavras de William Shakespeare. Porém, poucos sabem, que a verdadeira origem deste romance avassalador data de 1510/60, quando Matteo Bandello, poeta e bispo italiano – protegido de Henrique II (rei da França) – tornou públicas suas 214 Novelas. Em 1562, prestando uma homenagem póstuma, Arthur Brooke traduz o poema original para a língua inglesa e o publica sob o nome de 'A Trágica História de Romeu e Julieta'. William Shakespeare, por sua vez, tem seu primeiro contato com o texto original somente em 1591. Nos primórdios de sua carreira literária, o escritor levou quatro anos para reescrever a história, dando destaque aos personagens secundários – Mercúrio e Páris – no intuito de expandir o enredo.
Romeu e Julieta pertence a uma tradição de romances trágicos que remonta à antiguidade. Da mesma forma, "romeu e julieta" pertence a uma relação amorosa e, por vezes antagônica, da cultura gastronômica brasileira.  Queijo e goiabada advêm de modos de fazer portugueses. O rapaz surge numa tentativa de reprodução de queijos de cabra tão comuns naquele país. Já a moça, aparece pela substituição de uma fruta na produção de compotas. Ambos caíram no gosto popular, sendo prontamente aceitos pela realeza e por seus vassalos. 
Partindo de uma proposta de releitura contemporânea a partir de um tradicionalismo brasileiro, surge Shakespeare em IV ATOS. Trata-se de um deleite aos sentidos a ser degustado em quatro etapas.
I ATO – doce de goiaba em calda, acompanhado de creme de queijo azedo e ornamentado por um delicado tuile de parmesão - representa o momento em que Romeu entra na vida de Julieta. Desde sempre, tornam-se complementares e inseparáveis.  

No II ATO – mini bolo de queijo com calda de goiabada cascão - Julieta envolve seu amado com todo o seu brilho e sua doçura, permanecendo, todo o resto, a cargo do cupido.

Originários de famílias rivais, o  III ATO – cheesecake invertido de goiaba com cookie de castanha de caju, recoberto por catupiry e chocolate branco - é uma representação da tentativa de afasta-los e de fazer sucumbir o amor. Julieta, oprimida, aparece sob a influência de sua família. Acima deles, está Romeu, ornamentado por rosas vermelhas, símbolos da paixão e do amor verdadeiro.

Por fim, o IV ATO – lágrima de queijo brie acompanhada de brigadeiro gourmet de goiaba - representa o fim trágico de um amor avassalador. Triste, Romeu chora ao despertar e perceber Julieta já póstuma sobre si. Tomado por um arrebatador desespero, nenhuma opção lhe resta a não ser a tentativa de reencontro. 

Para aqueles que responderam de forma negativa às indagações que iniciam o presente texto, ambos - Romeu e Julieta - sucumbem à morte. Para os demais, que tiveram lembranças despertas em um imaginário longínquo, a narrativa foi apenas uma passagem, uma etapa, uma busca para se viver um grande amor...

Priscilla Sarah...aprendiz de cozinheira e eterna apaixonada!