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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Língua de Sogra

A figura da sogra transita livremente no imaginário popular. Quase sempre mal vista e malquista por, ao menos, uma das partes envolvidas, ela - que também e antes de tudo é mãe - tem sua imagem vinculada a bruxas, cobras e outros tantos seres ilusórios. Nas festas infantis, aparece, comumente, em duas versões: um doce e um brinquedo. O primeiro, por mais beijinho que contenha, não figura entre os favoritos dos convivas e, geralmente, é deixado de lado. O segundo, quando assoprado, toma a forma de uma língua 'afiada', sempre pronta a cutucar, incomodar e dizimar quem quer que atravesse seu caminho. Eternas mães de frágeis criaturas, exaltam a onipresença, a onisciência e a onipotência. Tudo melhora quando ela, a sogra, vem acompanhada da outra, a cunhada. O par perfeito! Sobre esta última, diversos são, também, os ditos populares. Todos sabem e propagam aos quatro cantos de nosso redondo mundo que se cunhado fosse bom, não iniciar-se-ia desta forma. Há certo tempo, tive o prazer de provar esta iguaria preparada a quatro garras. 

Recheada da mais pura e maravilhosa tripa, amarrada e costurada como uma mandinga e banhada em um suculento molho de cor púrpura, esta língua de sogra tornou-se irresistível como as escarlates maçãs dos contos de fadas. As notícias que correm em nosso reino encantado relatam a sobrevivência de todos aqueles que tiveram a oportunidade de provar seu doce veneno.
Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

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