quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Al Nero di Seppia - o Deus Netuno.

Eu tenho um pouco de medo do mar.
'Ao mesmo tempo que me encanta sentar diante de ti
e observar tua imensidão,
sentir teu movimento
e deixar tudo fluir através de tua energia e
(...)
até por tudo isso, eu te respeito'.
Tento, mas não encontro palavras para descrever esse transe sensorial.
Talvez, seja Netuno - 
aquele Deus que sempre nos aparece de forma enfurecida nos livros de mitologia. 
Não sei... 
Uma de minhas últimas desventuras gatronômicas foi
um risoto al nero di seppia. 
A aparência não é das melhores -
principalmente para os menos audaciosos.
E como nos alimentamos com todos os sentidos,
e em diversos deles,
alguns não quiseram sequer provar.
Porém, os desbravadores de mares distantes 
aprovaram a descoberta.
Alho poró, cogumelos, queijo camembert 
- de pasta mole, originalmente da região da Normandia, 
no Noroeste da França - e camarões.
Para findar, gratinei e salpiquei pimenta calabresa. 
Para acompanhar e brindar - um bom vinho tinto.
Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Da Espanha ao Reino de Marrocos, sem escala!

Além de continuar inventado minhas próprias receitas, confesso que Jamie vem me inspirando bastante. Outro dia decidi fazer Kefta - um quitute marroquino. Adoro a arquitetura, as fisionomias, as cores, sabores e essências daquela região. Para os leigos, desinteressados e sem gustação, kefta pode representar nada mais do que um simplório "bolinho de carne". Mas vai muito além. Trata-se de uma conjunção de sabores de ervas aromáticas, especiarias e carne suculenta. O resultado, após salpicado em azeite ou assado é uma experiência única. O sabor da carne adocicada e aromatizada é indescritível. É fato que, para variar, não segui as orientações na íntegra. Mas, de qualquer forma, ficou divino. Servi acompanhado de salada verde, coalhada seca e cebola roxa combinada com tomate para colorir o dia.  
Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Minha primeira viagem

Noite chuvosa de sexta-feira...um convite à boa mesa, acompanhada de um bom vinho e seguida da mais pura inércia... Oba! Decici iniciar minha viagem com Jamie pela primeira receita do livro: "A melhor salada de chouriço do mundo". É claro que não segui as orientações do chef à risca. Dei meus pitacos, acrescentei ingredientes, deixei outros de lado e confesso que não tive acesso a alguns. Utilizei chouriço defumado, lâminas de alho, tomate cereja, salsa, cebolinha, manjericão, mozzarela de búfala e queijo gorgonzola, regados a um molho de limão siciliano e azeite. Para acompanhar, fatias torradas de pão integral com grãos diversos e uma boa taça de vinho tinto. 

Nunca imaginei que chouriço salteado no azeite ficaria tão leve. Se Jamie aqui estivesse não sei o que acharia... Também não importa: ficou uma delícia. Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Saborosos 34...

Por várias vezes digo, repito e insisto: "Adoro comer" - principalmente quando cercada de grandes, bons, velhos e novos amigos. Pois então! Há 2 dias, completei 34 anos - uma data INESQUECÍVEL!!! Graças aos meus amigos, ou melhor, as minhas amigas do peito e de peito, as comemorações começaram um dia antes. Fui convidada para um chá da tarde (agradável surpresa) que virou festa  e adentrou a noite - com direito a pães recheados e bolo recheado de carinho e coberto com amor. No dia, ganhei brownie no almoço e no jantar. O melhor, de "amigas" diferentes - familiares queridas. Dentre outros diversos presentes, um se destaca e merece atenção especial - um post. Tenho uma AMIGA que veste a camisa - o traje todo, incorpora mesmo toda e qualquer situação. Trata-se de uma pessoa única, figura ilustre... Ontem, ao chegar em casa fui surpreendida por um pacote deixado na portaria do prédio. Um livro - fazia tempo que ganhava um livro, um bom livro! Leitura leve e saborosa. Um passeio por seis diferentes países, culturas, hábitos e alimentos. Jamie Viaja - Espanha, Itália, Suécia, Marrocos, Grécia e França. 

Nele, encontram-se relatos de experiêrncias únicas de um ilustre chef contemporâneo com povos e gastronomia rudimentar.

Além de receitas de pratos ilustres de cada região, têm-se descritos os modos de fazer da culinária popular. Um verdadeiro deleite! Nossos olhos são brindados com imagens únicas captadas pelas lentes de David "Lord" Loftus - amigo de longa data de Jamie. 

Assim, recebi a sugestão de recriar as belezas ali expostas - de fato, um incentivo à boa mesa e à comunhão. Só me resta agradecer, acatar e, de forma singela, tentar saciar aos comensais. Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Slow food!

Quem nunca comeu ou desejou comer um bom hambúrguer que atire a primeira pedra. É simplesmente impossível não salivar ao sentir aquele cheirinho de gordura na chapa! O simples som do tchiiiiiiiii é capaz de despertar os outros quatro sentidos! Apesar disso, não gosto muito de fast food. Na verdade, não gosto do fast. Como já relatei, adoro saborear a comida enquanto toco uma prosa morosa. O brasileiro, normalmente, é assim. Por incrível que pareça, ao perguntar para a maioria das pessoas o que a rede X ou Y vendem, a resposta é unânime: hambúrguer. ERRADO!!! Elas vendem refeição rápida. Em diversos países não há sequer mesas - por falar nisso, é sempre uma boa opção quando desbravamos mundos desconhecidos e sua gastronomia exótica. Mas aqui, onde tudo nem sempre acaba em pizza, o fast food virou passeio de domingo ou sinônimo de fim de noitada. É bacana, pois agrega. Não é raro nos depararmos com alguém só, comendo seu hambúrguer com velocidade - mas que é difícil, isso é. Para mim, comer um bom hambúrguer é uma oportunidade única de fazer amigos (gargalhadas). O processo lento e demorado começa quando vou ao açougue comprar a carne. Patinho é coisa de mãe que faz carne moída com purê de batata! Peço logo COSTELA - pra moer - e aí começo a me divertir e a fazer amizades. O atendente - pois não é açougueiro coisa nenhuma - olha com aquela cara de desdém e diz "Mocinha, a senhora está louca?!". ADORO! O homicídio qualificado da língua mãe! Os antônimos empregados na frase! O mocinha aqui não é um elogio. É um termo utilizado para designar aquelas que não entendem nada de cozinha. O senhora, por sua vez, soa como ofensa. E o louca, dispensa comentários. Eu, com o sarcasmo que me é peculiar olho para o elemento e simplesmente abro um sorriso enquanto ele continua divagando: "Costela se come assada na brasa! Onde já se viu?! Além do mais não pra moer porque tem osso! E aí o que vai querer?" A resposta é sempre a mesma: "Querido, (também não é elogio e muito menos pronome de bom tratamento), enquanto eu acarinho a sua orelha de jumento, vc pode desossar a costela e depois moer. Simples assim!". Primeira amizade feita!!! Na sequência, passo em uma boa padaria e compro pão roseta (um francês metido a besta com formato de broa). Vou para casa e, enfim, começo a preparar a slow food. Tempero a carne com uma pitadinha de sal e pimenta do reino moída. Disponho a mesma na prensa e recheio com gorgonzola. 
A quantidade aproximada de carne para cada hambúrguer é de 400g - bem prensados.

Aí vem a segunda fase de fazer amigos. Disponho meus utensílios - especialmente adquiridos para este fim (fogareiro industrial sob chapa de ferro fundido) - na varanda. Não há vizinho que resista. A salivação é geral! Fica lindeza. Para completar alface americana, tomate em rodelas, molhos diversos e muitos amigos - sem pressa!!!! Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Con questo freddo...

...uma bela pasta companhada de um bom vinho, vai muito bem! Por mais que associemos a idéia de macarrão às "mammas italianas", o macarrão não teve sua origem na Itália.  Dizem - as boas e más línguas -  que o macarrão foi inventado tão logo o homem aprendeu a moer cereais, misturar com água e cozinhar ou assar essa "pasta". Textos de civilizações antigas relatam que os assírios e babilônios, por volta de 2.500 a.C., já conheciam tal produto. Porém, foi Marco Polo quem tornou o prato "famoso" ao introduzir o  macarrão na Itália quando,  voltando de uma viagem à China em 1295, trouxe em sua bagagem uma receita de um prato feito com uma farinha extraída de arbusto de sagu  que, depois de cozida, era cortada e seca.  Bendito seja quem invemtou esta maravilha do mundo 'moderno'.
Para quem aprecia, macarrão é simplesmente maravilhoso! Eu adoro!!! Vai bem o ano todo. 
Com a preguiça do inverno, nada mais prático. Além disso, dá pra variar e inventar bastante.

Este gran fusili foi feito com  brócolis, lascas de bacalhau e champignon refogados no azeite e alho. 
Para colorir e aquecer, pitadas de pimenta calabresa. Lascas de parmesão e um vinho complementam a boa mesa. Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Aromas da Bahia

Ontem, um domingo chuvoso - dia que pede uma comida quente - na tentativa de quebrar gelo,
decidi fazer uma bela moqueca de peixe - usei Xaréu.

Em uma panela de barro, comecei fritando a cebola roxa e o alho num bom dendê.

A casa foi tomada por aquele aroma inconfundível.
Aos poucos, fui acrescentando o demais ingredientes do refogado.
Quando tudo estava no ponto, acomodei as postas de Xaréu e um bocado de camarão.
Deixei cozinhar um pouquinho - bem pouquinho mesmo para o peixe não amolecer e o camarão endurecer.
Por fim, embebi tudo isso no leite de coco.
Quando o prato estava com aquele molhinho grosso, desliguei o fogo e salpiquei com coentro fresquinho. Abafei. Gente, o aroma estava magnífico.
Servi acompanhado de arroz e um pimentinha porreta que um boteco aqui de perto de casa me fornece.

Aquecemos o estômago, o corpo e alma.  
Para a sobremesa nada melhor do que uma boa manga rosa flambada na cachaça baiana. 

O povo comeu até o caroço! Priscilla Sarah - aprendiz de cozinheira.